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Documentação Crítica de Fátima (selection)

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7Introdução
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confessionalidade do Estado, recentemente perdida, mas através de um
empenho especificamente religioso, com repercussões no tecido social.
Não apontavam algo de inaudito. Tinha já sido a proposta do movimento
católico em contexto liberal. O desígnio da restauração cristã da
sociedade, como referiam os bispos, ou da recomposição do catolicismo
português, como prefere a historiografia mais recente, não se quedou na
letra dos textos do episcopado português ou na correspondência e
documentos de alguns bispos em concreto. O desígnio de unidade
convergiu para o surgimento da União Católica em 1915, de onde saiu
em 1917 o Centro Católico Português, para a defesa do catolicismo em
sede política e parlamentar. Estamos já em época coeva aos
acontecimentos de Fátima, altura em que o regime republicano denotava
crise e gerara descontentamentos, entre as clivagens partidárias e os
efeitos da participação de Portugal na I Guerra Mundial, dando azo à
revolução sidonista de finais de 1917, que atenuaria a política religiosa
anterior. Entre outras disposições atenuantes, os prelados de Lisboa e
Porto puderam regressar às suas sedes e vários párocos às suas
comunidades, agora sem estarem sujeitos à proibição de veste talar. Os
horários de culto deixaram de ser controlados e os estabelecimentos de
assistência puderam receber doações. As relações diplomáticas com a
Santa Sé também seriam reatadas. O atenuar da política religiosa anterior
não significava, porém, a resolução do problema jurídico levantado pela
legislação republicana e pela lei de separação, que se arrastaria até à
concordata de 1940.
Na imprensa, também se fez sentir a restauração católica, expressa
na criação da Liga da Boa Imprensa nas várias dioceses a partir de
1915, na publicação de periódicos locais ou regionais de inspiração
católica e na criação de boletins paroquiais e diocesanos. Significativo
também foi o conjunto de iniciativas de enquadramento e formação dos
fiéis, paralelas à paróquia, muitas nascidas ainda no século XIX, como
as Associações Católicas, as Conferências Vicentinas ou os Círculos
Católicos de Operários. Outras viram a luz já no período republicano,
em resposta ao movimento de laicização. Foi o caso da União Noelista
Portuguesa, chegada de França em 1913, para a valorização feminina
nos meios urbanos; da Associação de Médicos Católicos, nascida em
1915; ou da Associação dos Pais de Família, criada um ano depois
para uma intervenção no setor educativo. Também no âmbito da pastoral
juvenil podíamos apontar a Federação das Juventudes Católicas
Portuguesas, que reagrupou em 1913 as várias Juventudes Católicas,

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