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Documentação Crítica de Fátima (selection)

Sanctuary of Fátima · 653 pages · text from the file's own layer

The Sanctuary of Fátima published this one-volume selection of documents from 1917 to 1930 in 2013. It draws on the fifteen-tome Documentação Crítica de Fátima, which appeared between 1992 and 2013. The selection contains 138 numbered documents. They include the parish priest's and Manuel Nunes Formigão's interrogations of Lúcia, Francisco and Jacinta, witness accounts of the October 1917 solar phenomenon, press coverage and records of the canonical commission. It ends with the bishop of Leiria's 1930 pastoral letter declaring the apparitions worthy of belief.

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àáâá ã áàáäáâ. O incêndio alastrava, em pavorosas proporções, de terra
em terra, de continente em continente, ameaçando arrastar no turbilhão
das suas labaredas as nações de todo o globo.
Havia um ano já que chegara a vez do pequeno Portugal que, dia a
dia, via desaparecer os seus filhos e os seus minguados recursos no
vértice pavoroso! ... Por toda a parte lágrimas, dores, desolação, morte.
Senão quando, em meio dos rumores sinistros da guerra, começou a
circular do norte ao sul do país, uma notícia que soava como uma
promessa de paz, um convite que sorria como um arco-íris em meio da
tempestade: A Fátima! Vamos a Fátima!
“Fátima? ...”
“Chi é costui?...”
O erudito alemão – como prescrevem todos os tratados de
metodologia – correria logo a folhear ponderosos dicionários de
Geografia e História, e – em última análise – a novíssima edição dos
Baedekers mais bem informados:
– Fátima – célebre filha de Maomé – nascida em Meca ali por 610...
– Fátima – epónimo donde derivava o seu nome a famosa dinastia
dos Fatimitas, no Século X...
Fátima... Mais nada. E poisando os livros com um desdenhoso
encolher de ombros sentenciou: “A Fátima”?... deve ser o título de algum
novo romance.
E contudo, meus Senhores, hoje o nome de Fátima corre de boca
em boca Portugal inteiro, – passou fronteiras, cavalgou cordilheiras,
atravessou continentes, sulcou oceanos, – e Fátima – mais ou menos
estropiado conhece-se em todas as nações da Europa, e fora dela, nos
Açores e na Madeira – em Angola e Moçambique – nas Índias e na
China, nos Estados Unidos e no Brasil. Fátima conhece-se, bendiz-se
com devoção, celebra-se com entusiasmo.
Não é uma praça forte como Anvers, cuja conquista mostrasse a
potência destruidora dos formidáveis 420; não é uma capital como Paris
que desse que falar dos obuses da Grosse Bertha; não é um Verdun,
padrão eterno de incríveis heroísmos; não é uma Jutlândia assinalada
por mortíferas batalhas navais... Não é nem sequer uma Versailles ou
uma Locarno... onde se firmassem, laboriosamente, laboriosos tratados
de uma paz que não chega nunca. – Não é nada disso e é mais que tudo
isso: – uma fortaleza, uma “testa de ponte”, um ponto estratégico, na
grande, na imane guerra que o céu leva travada com o inferno.
Doc. 130 1930-06-27

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