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Documentação Crítica de Fátima (selection)

Sanctuary of Fátima · 653 pages · text from the file's own layer

The Sanctuary of Fátima published this one-volume selection of documents from 1917 to 1930 in 2013. It draws on the fifteen-tome Documentação Crítica de Fátima, which appeared between 1992 and 2013. The selection contains 138 numbered documents. They include the parish priest's and Manuel Nunes Formigão's interrogations of Lúcia, Francisco and Jacinta, witness accounts of the October 1917 solar phenomenon, press coverage and records of the canonical commission. It ends with the bishop of Leiria's 1930 pastoral letter declaring the apparitions worthy of belief.

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Paralelamente deu-se início à compra dos terrenos na Cova de Iria,
tarefa facilitada pela maior parte dos proprietários. No dizer do P.
Formigão, “há grandes dedicações e entusiasmos por Fátima” (doc. 61,
p. 226).
Manuel Nunes Formigão destacar-se-ia aliás na divulgação dos
acontecimentos de Fátima e dos elementos que podiam favorecer o
culto e a piedade. Em 1921 publicou Os episódios maravilhosos de
Fátima (anexo, p. 567-617), dando conta dos acontecimentos de 1917,
pela sua pena ou transcrevendo testemunhos. Relata ainda o segundo
aniversário da primeira aparição, evidenciando a fé dos presentes e
algumas curas. Depois de expor a doença e a morte de Jacinta, dá
conta também do que testemunhou presencialmente no dia 13 de maio
de 1920. O juízo ainda ficava em aberto – “Continuamos a manter-nos,
como até aqui, em benévola expetativa“ (anexo, p. 617) – mas os factos
eram tidos como credíveis e merecedores de divulgação. Idêntico
objetivo revelou com um novo opúsculo publicado em 1923, intitulado
Os acontecimentos de Fátima (doc. 73, p. 261-278). Descreve as
aparições, elenca as curas extraordinárias, alude à intenção de construir
um templo dedicado à Senhora do Rosário, à doença e morte de
Francisco e de Jacinta, ao atentado contra a capela de março de 1922,
à comissão de inquérito nomeada pelo bispo, aos transportes para chegar
a Fátima. Apesar da constatação de um comércio tido por indigno nas
proximidades do lugar das aparições, que a autoridade eclesiástica ia
procurando evitar, o opúsculo narra também o caráter religioso das
peregrinações ocorridas nos dias 13: “A lembrança sempre viva das
aparições e dos sucessos maravilhosos de que Fátima é teatro, a
atmosfera saturada de sobrenatural que ali se respira, o temor religioso
que insensivelmente se apodera de todos os que se aproximam do centro
das maiores manifestações periódicas de índole religiosa, que registam
os anais de Portugal, impedem a explosão das paixões humanas e
conservam à distância aqueles que por ventura sejam tentados a visitar
o local das aparições” (doc. 73, p. 276-277).
Fátima não gozava, porém, da benevolência de todos, nomeadamente
dos setores anticlericais e das autoridades, que iam pondo obstáculos
às peregrinações. Em maio de 1920, o governador civil de Santarém
deu ordens para que não se realizassem manifestações religiosas no 13
de maio (doc. 55, p. 215). Antes da peregrinação de junho de 1921 o
regedor da freguesia de Fátima recebeu indicações do administrador do
concelho de Vila Nova de Ourém para que “não consinta tais
Introdução

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