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Documentação Crítica de Fátima (selection)

Sanctuary of Fátima · 653 pages · text from the file's own layer

The Sanctuary of Fátima published this one-volume selection of documents from 1917 to 1930 in 2013. It draws on the fifteen-tome Documentação Crítica de Fátima, which appeared between 1992 and 2013. The selection contains 138 numbered documents. They include the parish priest's and Manuel Nunes Formigão's interrogations of Lúcia, Francisco and Jacinta, witness accounts of the October 1917 solar phenomenon, press coverage and records of the canonical commission. It ends with the bishop of Leiria's 1930 pastoral letter declaring the apparitions worthy of belief.

172 DCF - Seleção de documentos (1917-1930)
éêë ìíîï ðñì òñéó ô õìöòê÷îø õîöéî ù úêíûî ðñì éìüéêýî ó ðñì ûîþêî éêòóï
que será um grande mal tal mentira. Ameaça, e diz já ter ameaçado a
filha com muitas coisas que lhe hão de acontecer se ela continuar a dizer
que viu Nossa Senhora e mentir. Diz que só estas coisas lhe estavam
reservadas para ela, etc., etc.
Procuro serenar a aflita mãe, dizendo-lhe que, se fôr verdade o que
dizem, é uma grande glória para ela e sua família. Oh!!... se fôr verdade...
mas se fôr mentira?!... exclama a duvidosa mãe. Aconselho-a a ter pela
filha os mesmos cuidados que até ali tem tido; que na ocasião, em que,
porventura, a filha haja de ir ao local da Aparição a não mande nem a
estorve, e que a traga à minha presença sempre, e só, após o dia da
Aparição, caso ela diga que continua a ter a graça de ver Nossa Senhora;
o que tudo prometeu fazer, oferecendo-se até, a vir, na véspera ou ante-
-véspera, com a filha à minha presença para eu lhe indicar qualquer
coisa que a filha houvesse de fazer ou dizer na ocasião da Aparição.
Disso a dissuadi para evitar algum mau conceito que a impiedade ou os
mal intencionados pudessem fazer, como ainda assim fizeram.
Posto isto, procedi ao interrogatório da filha – a dita vidente Lúcia –
a qual disse que no dia treze do corrente mês de maio, andava
pastoreando as ovelhas, com os primos Francisco e Jacinta, no sítio
chamado Cova da Iria – fica a dois quilómetros a noroeste desta Igreja
Paroquial de Fátima, junto à estrada que segue para a Batalha – por
cerca de uma hora da tarde – hora solar – e que tendo acabado de
rezar as contas – o terço – (o que fazia muitas vezes), viu um relâmpago
de que teve muito medo; começou logo a ajuntar as ovelhas e a mandar
os primos ajuntá-las para se irem embora, – para casa –, dizendo que
vinha lá trovoada, mas não via nuvens. De repente, viu outro relâmpago
e logo uma Senhora, de mediana estatura e extraordinária beleza, em
cima de uma carrasqueira – azinheira pequena – e que lhe disse:
– Não tenhas medo que te não faço mal.
E que ficando logo sem medo algum Lhe perguntou:
– Que lugar é o de Vossemecê?
E a Senhora lhe respondeu:
– O meu lugar é o Céu.
– O que vem Vossemecê cá fazer ao mundo?
– Venho cá para te dizer que venhas aqui todos os meses até fazer
seis meses, e no fim dos seis meses te digo o que quero.
– Vossemecê sabe-me dizer se a guerra ainda dura muito tempo ou
se acaba breve?
– Não te posso dizer ainda, enquanto te não disser também o que
quero.

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