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DE VARGINHA (4-page scan)

Arquivo Nacional (SIAN) · 4 pages · text by GLM-OCR

This scan from the Arquivo Nacional holds a 22 May 1996 article from the Brazilian magazine ISTOÉ by Luiza Villaméa about the Varginha ET case. It recounts the claim by three young women that they saw a creature in Jardim Andere on 20 January 1996, a farm couple's sighting of an object, and ufologists' allegations that the Army captured the beings. The Army denies this. A sidebar covers the unresolved 19 May 1986 air force chase of objects near São José dos Campos.

Read from the scan by GLM-OCR; expect the odd misread word.

varanda a cabeça de uma criatura idéntica à descrita três meses antes pelas garotas da cidade. "Fiquei pregada

no chão, não conseguia desviar meu olhar daqueles olhos horríveis. esbugalhados e vermelhos", conta. "É a coisa mais feia que já vi na vida."

## Marketing garantido

Em toda a polêmica despertada pelo ET de Varginha há pelo menos uma certeza. A cidade mineira de 120 mil habitantes entrou no mapa ufológico do País. "Não fosse a aparição do extraterrestre,inguém estaria falando de Varginha", avalia o publicitário Agnello Pacheco. "O prefeito está fazendo publicidade sem custos." Na cidade, o ET é assunto obrigatório. O comércio local não

perdeu tempo e atrai a clientela com figuras estilizadas do extraterrestre. Na Papelaria Macácri, no centro de Varginha, um ET montado com isopor, papel de seda e recheado de jornal velho decora a vitrine e chama a atenção dos consumidores. "Em 24 anos de comércio, neste mesmo ponto, esta é a vitrine que mais atrai as pessoas", comemora o comerciante José Maria da Silva, dono da papelaria. Ele diz, porém, que suas vendas não aumentaram. "As pessoas querem apenas olhar o ET." O criador do boneco foi seu sobrinho, Alan Tempesta, 17 anos, que não acredita em ETs. "Apenas aproveitei a idéia", diz Tempesta. "Agora só falta o prefeito de Los Angeles promover sua cidade a partir do doce de leite e do queijo mineiro", diz o publicitário Washington Olivetto.

## Um mistério de dez anos

As autoridades militares do Brasil, ao menos publicamente, não costumam dedicar espaço em suas agendas para tratar de fenômenos ufológicos. Há exatos dez anos, porém, a Aeronáutica chegou a deslocar três caças F-5 e três Mirage III para sair em perseguição a supostos Ovnis (Objetos Voadores Não-Identificados). A operação que mobilizou o sistema de defesa aérea do País foi desencadeada pelo coronel Ozires Silva. Em 19 de maio de 1986, logo depois de ser nomeado presidente da Petrobrás, o coronel voltava de Brasília a bordo de um avião Xingu e ao se aproximar da Base Aérea de São José dos Campos (SP) avistou alguns discos luminosos — também registrados pelos radares do avião. O próprio Ozires resolveu iniciar uma perseguição às tais luzes, enquanto aeionava pelo rádio o Centro

Integrado de Defesa Aérea. Depois de três horas, as luzes sumiram do mesmo modo que apareceram, misteriosamente.

Na epoca, o então ministro da Aeronáutica, Octávio Moreira Lima, assegurou que os Ovnis "eram pelo menos 20." O coronelaviador Ney Antunes Cerqueira, então chefe do Centro de Operações de Defesa Aérea,

garantia, contudo, que apenas três Ovnis foram registrados. Para esclarecer o episódio, o brigadeiro Moreira Lima prometeu um relatório oficial sobre as investigações da Aeronáutica em 30 dias. Até hoje os resultados dessa investigação são guardados a sete chaves e poucos querem falar do assunto. "Não me lembro de coisas de dez anos atrás", esquiva-se o coronel Cerqueira, hoje chefe do Serviço de Proteção ao Vôo, em São Paulo. Outros, com melhor memória, evitam comentar o resultado da investigação. "Foi urna ocorrência excepcional, mas não chegamos à nenhuma explicação", sustenta o brigadeiro Moreira Lima. Procurado por ISTOÉ, em São José dos Campos, onde mora, e em São Paulo, onde trabalha, o ex-ministro Ozires Silva não atendeu à reportagem. Apesar do silencio oficial, os ufólogos não pretendem arquivar

O ex-ministro Moreira

Lima; sem explicações

esse caso definitivamente. O episódio será tema de um livro, já em fase final, do presidente do Instituto Nacional de Investigação de Fenômenos Aeroespaciais (Infa), Claudeir Covo. "Os cidadãos têm o direito de conhecer esse caso. Conto com a liberação do relatório da Aeronáutica para terminar o livro", reivindica o ufólogo.

Rita Moraes

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