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Documentação Crítica de Fátima (selection)

Sanctuary of Fátima · 653 pages · text from the file's own layer

The Sanctuary of Fátima published this one-volume selection of documents from 1917 to 1930 in 2013. It draws on the fifteen-tome Documentação Crítica de Fátima, which appeared between 1992 and 2013. The selection contains 138 numbered documents. They include the parish priest's and Manuel Nunes Formigão's interrogations of Lúcia, Francisco and Jacinta, witness accounts of the October 1917 solar phenomenon, press coverage and records of the canonical commission. It ends with the bishop of Leiria's 1930 pastoral letter declaring the apparitions worthy of belief.

96 DCF - Seleção de documentos (1917-1930)
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nosso povo que é bom, ainda alguma coisa se pode fazer e que ele pelo
seu ideal é capaz de trabalhar e de se sacrificar com amor, alegria e
entusiasmo. – E para prova, era vê-los marchar pelas lamas, pelas
estradas encharcadas, pelas pedras escorregadias, alegres, sem
desfalecimento, cheios de coragem, ora entoando alegremente o “Avé”
e outros cânticos, ora recitando piedosamente o terço em comum.
Certamente deste povo ainda se pode esperar um ressurgimento.
Voltei à Fátima no dia 19 de outubro, fui ver as crianças e falar com
elas. Foi connosco um sacerdote que já por vezes as tinha interrogado,
sendo interessantíssimos esses interrogatórios.
Ao contrário do que sucedera a algumas pessoas, agradaram-me
imenso as crianças, que são robustas, sadias, alegres, francas e
simpáticas, com uma desenvoltura própria da sua idade. Não fugiram
de nós, antes nos receberam amavelmente. Assistimos a um demorado
interrogatório, feito a cada criança separadamente. Respondem
francamente, prontamente, e com a maior singeleza. No entanto vê-se
que gostam pouco de ser interrogadas, que isso as maça, e que só
respondem, por se acharem obrigadas a isso.
A ser certa a visão, haveria uma certa diferença entre a maneira como
ela se revelava a cada criança. Assim, a mais velha Lúcia era de certo a
mais privilegiada, via, ouvia e falava com a aparição, fazendo-lhe pedidos
e perguntas, e obtendo respostas. A mais novita, Jacinta, via e ouvia a
Senhora mas nunca lhe falou, nem esta se lhe dirigiu diretamente. O
rapazito, Francisco, via a Senhora, mas nunca a ouviu falar nem sequer
a viu mexer os lábios, e nunca A viu tão distintamente como em 13 de
outubro.
Interrogámos as crianças, para saber como se tinha dado a primeira
aparição. Responderam com simplicidade que no dia 13 de maio, quando
na Cova da Iria andavam apascentando o seu rebanho, fez uma grande
trovoada. Pensavam em juntar o rebanho e irem-se embora, quando
dum relâmpago viram aparecer uma Senhora. Amedrontados, quiseram
fugir, mas a aparição disse-lhes que não fugissem, pois nenhum mal lhes
faria. Antes de começar a trovoada as crianças estavam rezando o seu
terço, e a aparição recomendou-lhes que rezassem o terço à Senhora
do Rosário, para abrandar a guerra, e que voltassem ali todos os meses,
pois durante seis meses consecutivos ali viriam. As crianças voltaram ali
em junho e dizem ter-lhes aparecido a Senhora que desta vez lhes
recomendou que aprendessem a ler, o que as crianças não fizeram logo,
porque não havia nem nunca houve professora na Fátima. Agora, sem

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