Documents / Document
The Sanctuary of Fátima published this one-volume selection of documents from 1917 to 1930 in 2013. It draws on the fifteen-tome Documentação Crítica de Fátima, which appeared between 1992 and 2013. The selection contains 138 numbered documents. They include the parish priest's and Manuel Nunes Formigão's interrogations of Lúcia, Francisco and Jacinta, witness accounts of the October 1917 solar phenomenon, press coverage and records of the canonical commission. It ends with the bishop of Leiria's 1930 pastoral letter declaring the apparitions worthy of belief.
“Rio de Janeiro”8 pages
6 DCF - Seleção de documentos (1917-1930) @A B C A agitação política e as preocupações eclesiais de 1917 encontravam, porém, antecedentes mais próximos. As dificuldades em que o catolicismo se moveu desde o dealbar do liberalismo persistiram e agravaram-se com a eclosão da revolução republicana de 1910 e com a subsequente lei de separação de 1911. A Igreja foi confrontada com um novo quadro jurídico, pois os novos protagonistas políticos retiraram-lhe o estatuto de religião oficial e, consequentemente, já não lhe destinavam o papel na construção social que o liberalismo entre contradições lhe reconheceu. Não foi, contudo, este novo enquadramento global que causou mais perplexidade à Igreja, atendendo à reflexão sobre a contingência das formas de governo que o movimento católico lhe fora oferecendo ao longo da segunda metade da centúria precedente e à aceitação da república pelo ralliement leonino. Os transtornos advieram da política de laicização que a república instaurou em Portugal, através de um conjunto de medidas que foram alterando a fisionomia do catolicismo português: os jesuítas foram expulsos e as congregações religiosas foram extintas e perderam os seus bens; os juramentos religiosos foram eliminados; o ensino religioso nas escolas primárias e normais foi proibido, e a Faculdade de Teologia da Universidade de Coimbra foi extinta; os dias santificados foram abolidos; o casamento civil tornou-se obrigatório e foi introduzido o divórcio. A lei da separação privou a Igreja da sua personalidade jurídica e passou os seus bens para as associações cultuais, de que estava excluído o clero. Também o converteu ao funcionalismo público pela oferta de pensões, a que maioritariamente renunciou. Os bispos portugueses reagiram na linha do ralliement, numa pastoral coletiva que não contestava o novo regime, mas apenas a sua política laicizadora, e afirmava que os católicos deviam acatar as novas instituições políticas, obedecendo-lhes em tudo o que não fosse contrário à consciência. Seguiu-se-lhe um protesto coletivo dos bispos, em resposta à lei de separação. Subjacente ao protesto estava a teoria tese/hipótese, que recusava a separação ao nível dos princípios, mas a aceitava na prática, desde que respeitasse o catolicismo; respeito que a lei sob protesto não tinha em conta. A reação episcopal começava, pois, a esboçar novo caminho. Aliás, numa nova tomada de posição dos bispos, em 1913, comummente apelidada de Apelo de Santarém, surgia um repto à união dos católicos, para que interviessem publicamente e defendessem a Igreja, contra as medidas laicizadoras da república, ao mesmo tempo que invocava, qual eco da divisa de Pio X, à necessidade de instaurare Lusitaniam in Christo.
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