Documents / Document

Documentação Crítica de Fátima (selection)

Sanctuary of Fátima · 653 pages · text from the file's own layer

The Sanctuary of Fátima published this one-volume selection of documents from 1917 to 1930 in 2013. It draws on the fifteen-tome Documentação Crítica de Fátima, which appeared between 1992 and 2013. The selection contains 138 numbered documents. They include the parish priest's and Manuel Nunes Formigão's interrogations of Lúcia, Francisco and Jacinta, witness accounts of the October 1917 solar phenomenon, press coverage and records of the canonical commission. It ends with the bishop of Leiria's 1930 pastoral letter declaring the apparitions worthy of belief.

75
d  !""" Alteram-se os grupos que cantam os louvores da Virgem,
e uma lebre, espavorida, que galga matagal em fora, apenas desvia as
atenções de meia duzia de zagaletes que a alcançam e prostram à
cacetada...
E os pastorinhos? Lúcia, de 10 anos, a vidente, e os seus pequenos
companheiros, Francisco, de 9, e Jacinta, de 7, ainda não chegaram. A
sua presença assinala-se talvez meia hora antes da indicada como sendo
a da aparição. Conduzem as rapariguinhas, coroadas de capelas de
flores, ao sítio em que se levanta o pórtico. A chuva cai incessantemente
mas ninguém desespera. Carros com retardatários chegam à estrada.
Grupos de fiéis ajoelham na lama e a Lúcia pede-lhes, ordena que fechem
os chapéus. Transmite-se a ordem, que é obedecida de pronto, sem a
mínima relutância. Há gente, muita gente, como que em êxtase; gente
comovida, em cujos lábios secos a prece paralizou; gente pasmada,
com as mãos postas e os olhos borbulhantes; gente que parece sentir,
tocar o sobrenatural... A criança afirma que a Senhora lhe falou mais
uma vez, e o céu, ainda caliginoso, começa, de súbito, a clarear no alto;
a chuva para e pressente-se que o sol vai inundar de luz a paisagem que
a manhã invernosa tornou ainda mais triste...
A hora antiga é a que regula para esta multidão, que cálculos
desapaixonados de pessoas cultas e de todo o ponto alheias às influências
místicas computam em trinta ou quarenta mil criaturas... A manifestação
miraculosa, o sinal vísivel anunciado está prestes a produzir-se –
asseguram muitos romeiros... E assiste-se então a um espetáculo único
e inacreditável para quem não foi testemunha dele. Do cimo da estrada,
onde se aglomeram os carros e se conservam muitas centenas de
pessoas, a quem escasseou valor para se meter à terra barrenta, vê-se
toda a imensa multidão voltar-se para o sol, que se mostra liberto de
nuvens, no zénite. O astro lembra uma placa de prata fosca e é possível
fitar-lhe o disco sem o mínimo esforço. Não queima, não cega. Dir-se-
-ia estar-se realizando um eclipse. Mas eis que um alarido colossal se
levanta, e aos espetadores que se encontram mais perto se ouve gritar:
– Milagre, milagre! Maravilha, maravilha!
Aos olhos deslumbrados daquele povo, cuja atitude nos transporta
aos tempos bíblicos e que, pálido de assombro, com a cabeça
descoberta, encara o azul, o sol tremeu, o sol teve nunca vistos
movimentos bruscos fora de todas as leis cósmicas – o sol “bailou”,
segundo a típica expressão dos camponeses. Empoleirado no estribo
do auto-omnibus de Torres Novas, um ancião cuja estatura e cuja
fisionomia, ao mesmo tempo doce e enérgica, lembram as de Paul
Doc. 13 1917-10-15

About this file

Document, cited by the archive. The PDF is mirrored here; the original link is above. 653 pages are in the text index: search them above, or from the library's search.