Documents / Document
The Sanctuary of Fátima published this one-volume selection of documents from 1917 to 1930 in 2013. It draws on the fifteen-tome Documentação Crítica de Fátima, which appeared between 1992 and 2013. The selection contains 138 numbered documents. They include the parish priest's and Manuel Nunes Formigão's interrogations of Lúcia, Francisco and Jacinta, witness accounts of the October 1917 solar phenomenon, press coverage and records of the canonical commission. It ends with the bishop of Leiria's 1930 pastoral letter declaring the apparitions worthy of belief.
“Mons”11 pages
507 ~ ~ ~ entrada, no limite oposto do recinto, a vastíssima basílica, o maior templo de Portugal. À direita deste, vão-se arqueando pela periferia do anfiteatro, a igreja românica destinada às confissões dos homens, o grandioso albergue destinado aos doentes também do sexo masculino, a hospedaria dos peregrinos, e a casa dos Servitas. Do lado esquerdo construir-se-ão outros tantos edifícios iguais aos precedentes, para penitentes, enfermos, peregrinos e Servitas do sexo feminino. Em Leiria, tinha eu pregado nos dias precedentes duas conferências, uma a homens, outra a mulheres; tinha feito uma prática a seminaristas e um sermão na Catedral para o exercício do mês de Maria. À noite do dia 12, pelas 9 horas, saí de Leiria em automóvel com o Sr. Bispo, o seu Secretário e Frei David, O. F. M. Quando nos aproximámos da Cova da Iria, fiquei assombrado com o número de automóveis, caminhões e outros veículos que já bordavam o local, em linhas triplicadas, do lado de cima do rebordo circular. Às 10 ½ começou a procissão das velas. O efeito não se parece em nada com o de Lourdes. Lá, o serpentear das luzes assemelha-se a um rio coleando por entre as várzeas; aqui, não é como um rio; é antes como as correntes oceânicas, que são os rios do mar. Com efeito, a multidão imensa que se aperta na Cova da Iria dá-nos o efeito de um mar de luzes, pois raros são os que não compram a sua vela, por mais pobrezinhos que sejam; e é dentro desse mar, que a parte móvel da procissão se aperta mais ainda, deslizando em torcicolos no interior da gigantesca mó de fogo, desenhando através dela uma tira muito mais intensa que vai em zig-zags, tomando o caminho do majestoso pórtico. Os cânticos sucedem-se, predominando porém sempre o Avé, avé, avé Maria! À meia-noite, exatamente no primeiro momento do dia 13, começou o terço. Era para ele que se destinavam os meus 6 sermões da noite. Eram pregados diante do microfone, e comunicados com assombrosa nitidez àquela enorme multidão. Expus no primeiro sermãozinho o assunto geral da pregação daquela noite: a Penitência. Cada um dos restantes cinco sermões versou o respetivo mistério doloroso, pois o dia 13 de maio caíu em terça-feira. A cena era por tal forma impressionante, que ali mesmo senti a necessidade de seguir um rumo bem diverso do que costumo seguir no púlpito. A cada passo passava a pregação a ser dialogada, e o imenso auditório era convidado a acompanhar-me nas súplicas, exclamações e jaculatórias. Às duas horas estava terminado o meu trabalho da noite, e fui celebrar Doc. 122 1930-05-16
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