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Documentação Crítica de Fátima (selection)

Sanctuary of Fátima · 653 pages · text from the file's own layer

The Sanctuary of Fátima published this one-volume selection of documents from 1917 to 1930 in 2013. It draws on the fifteen-tome Documentação Crítica de Fátima, which appeared between 1992 and 2013. The selection contains 138 numbered documents. They include the parish priest's and Manuel Nunes Formigão's interrogations of Lúcia, Francisco and Jacinta, witness accounts of the October 1917 solar phenomenon, press coverage and records of the canonical commission. It ends with the bishop of Leiria's 1930 pastoral letter declaring the apparitions worthy of belief.

478 DCF - Seleção de documentos (1917-1930)
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Estado à Igreja e de que era teatro todo o território da República. Ora
foi precisamente quando esta luta formidável e sem tréguas atingia o seu
período mais agudo que a Augusta Rai-[38]nha do Céu, a Imaculada
Padroeira da nossa terra, se dignou aparecer num recanto ignorado da
serra de Aire, no centro geográfico do país, para aí estabelecer um foco
intenso inesgotável de vida espiritual. A decadência moral e religiosa da
sociedade portuguesa, sobretudo depois da queda do antigo regime,
por motivo da perseguição à Igreja, acentuou-se duma maneira pavorosa,
especialmente nos grandes centros, produzindo uma larga sementeira
de males de toda a ordem. Foi decerto para obviar a estes males e para
opôr um dique à onda assoladora da impiedade e da desmoralização,
que alastrava sem peias, mercê da complacência das autoridades, que a
Virgem Santíssima suscitou uma nova Lourdes na terra de Santa Maria.
Mas, para que se visse dum modo bem patente a eficácia da sua
intervenção, era preciso que a guerra religiosa cessasse, ou pelo menos
abrandasse os seus furores. E com efeito assim sucedeu. Enquanto os
humildes videntes de Aljustrel contemplavam na charneca de Fátima a
inefável Visão, durante seis meses consecutivos, desde maio a outubro,
os dois meses consagrados dum modo especial pela Igreja e pela piedade
dos fiéis ao culto da Rainha dos Anjos, uma plêiade de homens valorosos
e amigos da verdadeira liberdade procurava pôr termo à tirania que
esmagava os portugueses e preparar o advento de dias melhores para a
pátria querida. A oito do mês de dezembro seguinte, dia da Imaculada
Conceição, padroeira de Portugal, passado pouco mais dum mês depois
da última aparição, o Major Sidónio Pais vence definitivamente os seus
inimigos e proclama o regime da República nova. Imediatamente são
reatadas as relações entre a Igreja e o Estado para nunca mais até hoje
serem interrompidas. Um decreto de Moura Pinto, ministro da justiça
de Sidónio Pais, que foi Chefe do governo e depois Presidente da
República, veio pôr termo às lutas religiosas e [38v] preparar a liberdade
da Igreja com a renúncia, por parte do Estado, a uma intromissão
opressora na sua organização interna. E desde esse momento, não
obstante os inimigos da Religião terem mais tarde ascendido de novo às
culminâncias do poder, nunca mais foram renovadas contra a Igreja as
medidas draconianas promulgadas pelos governos anteriores a Sidónio
Pais. 4ª - AAparição queria que se rezasse o terço e se fizesse penitência
para que Deus se dignasse pôr termo ao grande flagelo da guerra que
assolava tantas nações, produzindo milhões de vítimas e semeando por
toda a parte toda a sorte de ruínas morais e materiais. Anunciou que o

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