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Documentação Crítica de Fátima (selection)

Sanctuary of Fátima · 653 pages · text from the file's own layer

The Sanctuary of Fátima published this one-volume selection of documents from 1917 to 1930 in 2013. It draws on the fifteen-tome Documentação Crítica de Fátima, which appeared between 1992 and 2013. The selection contains 138 numbered documents. They include the parish priest's and Manuel Nunes Formigão's interrogations of Lúcia, Francisco and Jacinta, witness accounts of the October 1917 solar phenomenon, press coverage and records of the canonical commission. It ends with the bishop of Leiria's 1930 pastoral letter declaring the apparitions worthy of belief.

458 DCF - Seleção de documentos (1917-1930)
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republicana desta vila e outras vindas de Tomar e de Torres Novas, que
foram obrigados a ir ao local da Fátima, visto a consciência da seriedade
e do papel que iam desempenhar os oradores! Então, srs. ministros do
Interior e da Guerra, as tropas republicanas desviam-se dos seus serviços
para guardar as costas aos srs. republicanos? Foi um verdadeiro fiasco,
já a conferência no Centro, e muito maior no lugar de Fátima, onde os
oradores tiveram de desistir, visto que o povo do concelho, por desprezo,
não concorreu ao local, não obstante tanto convite que lhe foi feito, pois
que ali só apareceram oito pessoas para os ouvirem, à exceção de grande
número de mulheres que à sua chegada entoaram o Bendito, voltando-
lhes logo as costas. Eis pois, o paralelo entre os dias treze de outubro e
dois de dezembro. Por isso lhes dizemos: outro ofício, e a quem vos
convidou, para a sensaboria que apanharam e o susto, quando no trajeto
de regresso a esta vila foram mimoseados com algumas pedradas, pelo
que o sargento comandante da força teve que fazer fogo.”
O segundo atentado foi cometido no dia seis de março de mil
novecentos e vinte e dois, alta madrugada. O receio das explosões da
cólera popular levou os criminosos a executar o seu horrível desígnio
com o favor das sombras da noite. Recaem fundadas suspeitas sobre
alguns indivíduos de Lisboa, Santarém e Vila Nova de Ourém, indigitados
[24v] como promotores, executores e cúmplices do nefando atentado e
cujos nomes se citam. Os desgraçados arrombaram a porta da capela e
a golpes de alvião abriram quatro buracos nas paredes, a distâncias
iguais, dois palmos acima do pavimento, introduzindo em cada um deles
uma bomba de grande potência. Essas quatro bombas rebentaram,
comunicando o fogo ao madeiramento do teto fazendo-o abater. Uma
quinta bomba foi colocada na cova, em que se encontra a raíz da azinheira
sobre a qual, no dizer dos videntes, pousavam os pés da Aparição, mas
não explodiu. As paredes da capela, embora bastante danificadas, ficaram
de pé. AAssociação do Registo Civil e a Federação do livre Pensamento
editaram um longo panfleto com a epígrafe: “Aos liberais portugueses” e
as subepígrafes: “A reação campeia desenfreada! !! Contra a torpe
especulação feita com a comédia ridícula de Fátima protestam
energicamente a Associação do Registo Civil e a Federação Portuguesa
do Livre Pensamento”20.
20 O relator equivoca-se ao datar o panfleto depois do atentado de 6 de março de
1922. O panfleto refere-se ao dia 13 de outubro de 1917 (cf. Doc. 27).

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