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Documentação Crítica de Fátima (selection)

Sanctuary of Fátima · 653 pages · text from the file's own layer

The Sanctuary of Fátima published this one-volume selection of documents from 1917 to 1930 in 2013. It draws on the fifteen-tome Documentação Crítica de Fátima, which appeared between 1992 and 2013. The selection contains 138 numbered documents. They include the parish priest's and Manuel Nunes Formigão's interrogations of Lúcia, Francisco and Jacinta, witness accounts of the October 1917 solar phenomenon, press coverage and records of the canonical commission. It ends with the bishop of Leiria's 1930 pastoral letter declaring the apparitions worthy of belief.

  • p. 289 …vibra no espaço, repercutindo-se de serra em serra, um clamor angustioso pedindo socorro!...É a…
  • p. 594 …Os socorros da medicina de nada lhe valeram. De dia para dia o seu estado agravava…
296 DCF - Seleção de documentos (1917-1930)
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2. Olímpia de Jesus, de cinquenta e quatro anos, casada em segundas
núpcias com Manuel Pedro Marto, do qual teve sete filhos (tendo mais
dois, ainda vivos e casados, do primeiro matrimónio7), sendo apenas
dois atualmente vivos8; é natural e moradora em Aljustrel, freguesia de
Fátima. Estava de regresso àquele lugar no dia treze de maio de mil
novecentos e dezassete, depois do sol posto, já de noite, do mercado
que há todos os domingos na Batalha. Ao chegar a casa a Jacinta, muito
alegre abraçou-se a ela, o que não costumava fazer e disse: “Ó minha
mãe, vi hoje Nossa Senhora na Cova da Iria”. A mãe retorquiu: “Não
acredito; és uma boa santa para veres Nossa Senhora”. A pequena
mostrou-se um pouco triste e insistiu: “Acredite, minha mãe”. Tinha então
sete anos. Isto passou-se ainda na rua à porta de casa. Entraram e logo
ela disse: “Minha Mãe, vou rezar o terço com o Francisco, que foi o que
Nossa Senhora mandou que nós fizéssemos”. A mãe deixou-os ir rezar.
Depois de terem rezado, a criança, voltando-se para a mãe, disse: “Minha
mãe, tem que rezar o terço todos os dias”. “Não é esse o costume,
observou a mãe, então vou agora rezar o terço?!”. “Reze, minha mãe,
reze!”, tornou a filha com intimativa. Vendo que as crianças continuavam
a rezar todos os dias o terço, ou quando andavam com o gado ou em
casa, os pais resolveram-se a rezá-lo também todos os dias em comum
com toda a família. E se algum dia se deixava de fazer tal devoção, por
qualquer motivo extraordinário, ficava triste e dizia com voz magoada:
“Minha mãe, já rezei o terço e vossemecê ainda o não rezou”. A mãe
com pouca fé na realidade das aparições, esperou o dia treze de junho.
A uma pergunta dos pais nesse sentido, a pequena respondeu que Nossa
Senhora tinha dito, que fossem lá durante seis meses no dia treze que ela
lhes apareceria, e que rezassem o terço. Os videntes compreenderam
que essa recitação devia ser feita todos os dias. Dizia Nossa Senhora
que rezassem o terço, que o espalhassem pelo mundo e que Deus estava
muito ofendido. O Francisco disse que via a Senhora a mexer os beiços,
abrir as mãos e fechá-las, mas não ouvia as suas palavras. Disse a Jacinta
que a Senhora só falava com a Lúcia. A Lúcia disse que via uma mulher
muito bonita, com um resplendor ao cabo da cabeça, que cegava. No
princípio da aparição, quando a Lúcia dizia que via Nossa Senhora, o
7 António Ferreira Rosa e Manuel Ferreira Rosa.
8 À data deste interrogatório, estavam vivos José dos Santos Marto e João dos
Santos Marto.

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