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Documentação Crítica de Fátima (selection)

Sanctuary of Fátima · 653 pages · text from the file's own layer

The Sanctuary of Fátima published this one-volume selection of documents from 1917 to 1930 in 2013. It draws on the fifteen-tome Documentação Crítica de Fátima, which appeared between 1992 and 2013. The selection contains 138 numbered documents. They include the parish priest's and Manuel Nunes Formigão's interrogations of Lúcia, Francisco and Jacinta, witness accounts of the October 1917 solar phenomenon, press coverage and records of the canonical commission. It ends with the bishop of Leiria's 1930 pastoral letter declaring the apparitions worthy of belief.

  • p. 289 …vibra no espaço, repercutindo-se de serra em serra, um clamor angustioso pedindo socorro!...É a…
  • p. 594 …Os socorros da medicina de nada lhe valeram. De dia para dia o seu estado agravava…
295
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tempo”. Logo que chegaram, pediram-lhe que as levasse a casa do
senhor Prior, mas o administrador disse que primeiro haviam de comer,
ao que elas se prestaram.
No dia dezanove de agosto, ao chegar a casa, depois de ter passado
pelos Valinhos, propriedade particular de António Ferreira Rosa, para ir
a uma fazenda sua, ouviu dizer que Nossa Senhora tinha aparecido nesse
dia naquele sítio. Chegaram a mulher e a Jacinta e ele perguntou à filha o
que havia, tendo ela dito que Nossa Senhora tinha aparecido; que quem
ia com o gado eram o João, a Lúcia e o Francisco, que o João chamou-
-a e que, logo que ela lá chegou apareceu Nossa Senhora, e que haviam
de aparecer Nossa Senhora das Dores, (segundo lhe parece), Nossa
Senhora do Rosário, S. José e o Menino Jesus.
Em treze de setembro foi também à Cova da Iria. Estava um pouco
afastado das crianças. Não viu nada, nem ouviu nada, mas ouviu dizer
que algumas pessoas tinham visto coisas extraordinárias na atmosfera.
Ouviu dizer às crianças que Nossa Senhora havia de dizer em outubro o
que é que queria e havia de fazer um milagre para que todo o povo
acreditasse. Desde treze de setembro as visitas a sua casa foram
numerosas. Em treze de outubro chovia. Aconselharam-no a que não
fosse porque lhe podiam fazer mal, embora o não fizessem às crianças,
por serem crianças. Foi em companhia delas. Estava então muita gente
no local convertido num lamaçal enorme. Ouviu a Jacinta gritar que não
a apertassem. A Lúcia disse: “Já cá está!” O povo afirmava ver cores no
sol e no céu. O sol não fazia nenhuma impressão à vista. Não ouviu voz
nenhuma. Ouviu dizer ou à Lúcia ou a outras pessoas que Nossa Senhora
queria que não se ofendesse mais a Nosso Senhor, o qual estava muito
ofendido e que a guerra ia acabar.
O Francisco um ano depois adoeceu com a pneumónica e pediu a
Sagrada Comunhão que recebeu por Viático. Morreu a sorrir-se.
A Jacinta morreu mais tarde, também em consequência da
pneumónica6.
A testemunha não sabe escrever.
A rogo da testemunha
Joaquim Pereira dos Reis
Doutor Padre Manuel Nunes Formigão Júnior, relator
Doutor Padre Manuel Marques dos Santos, promotor da fé
6 Francisco faleceu a 4 de abril de 1919 e Jacinta a 20 de fevereiro de 1920.
Doc. 80 1923-09-28

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