Documents / Document
The Sanctuary of Fátima published this one-volume selection of documents from 1917 to 1930 in 2013. It draws on the fifteen-tome Documentação Crítica de Fátima, which appeared between 1992 and 2013. The selection contains 138 numbered documents. They include the parish priest's and Manuel Nunes Formigão's interrogations of Lúcia, Francisco and Jacinta, witness accounts of the October 1917 solar phenomenon, press coverage and records of the canonical commission. It ends with the bishop of Leiria's 1930 pastoral letter declaring the apparitions worthy of belief.
“Mons”11 pages
257 ¡¢ £¤¥ ¡¦ ¦¦§ ¢¦§ ¨¤©ª¡ «¢¬ros e Balbino do Rego. Devido ao muito frio constipei-me e, fosse por isso ou por outra causa, no dia seguinte estava ardendo em febre e com uma pneumonia. É chamado o médico de serviço e, depois de me observar bem, diz que estou irremediavelmente perdido. Tenho os pulmões ambos atacados; a febre está sempre acima de 40 graus. Mandam-me aplicar ventosas, umas após outras, mas era preciso tomar remédios que combatessem a febre e isso é impossivel porque no estômago não pode entrar nada. A operação era das mais melindrosas e por conseguinte só podia esperar a morte. Estava quase sempre variado mas, nos pequenos intervalos que tinha lucidez, pensava na minha situação e via que era crítica. Vejo que morro num hospital sem o conforto que os ministros duma religião levam às almas nas negras e atribuladas horas; sem ver à cabeceira do meu leito uma mãe, irmãos, irmãs, pessoas de família e amigos que me animem e fortaleçam. Antes que baixe ao coval de um cemitério, quero ainda escrever a minha mãe dizendo-lhe que morro, que peça e mande pedir por mim, que ali não tenho quem o faça. Esse pedido foi feito pelo reverendo pároco de Santa Catarina parece- -me que em dia de Natal à missa das Almas. Do mundo não posso esperar nada e então vem-me à imaginação tudo o que se passou nessa Cova bendita, dessa Virgem que disse ser a Consoladora dos aflitos. Bem sei que tenho de morrer mas é triste não ter a consolação de ver nesse momento cruciante e transe doloroso, em volta de meu leito, quem ore e dê conforto. Então animado com uma grande fé peço a Nossa Senhora do Rosário da Fátima que, se possível fosse, eu ainda poder um dia ir à minha terra ver minha família, faria uma festa em sua honra e mandaria pregar um sermão, indo ao local rezar um terço. No dia seguinte já não tinha febre e passados dois dias estava completamente curado dos pulmões. Aos médicos parecia um sonho, quando me julgavam morto aparecia-lhes curado. Foi a medicina? Não, porque não tomei remédios. Então uma pneumonia e febre a 40 graus cura-se em três dias, e por acaso? Já escaparia alguém operado do estômago que fosse atacado por uma pneumonia? Que responda quem souber. Poderão dizer que melhorava da mesma forma, mas como tenho a certeza que só escapei por meio dum grande milagre e da grande fé com que me apeguei com Nossa Senhora, hei de dizer isto sempre e em toda a parte, custe o que custar. Essa promessa mandei encarregar o sr. prior de Santa Catarina de a cumprir assim como pregou o sermão em ação de graças na dita festa na pequena ermida da Chainça em Setembro de 1919. A Cova da Iria é para mim um cantinho do Céu a quem devo Doc. 72 1922-11-23
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