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Documentação Crítica de Fátima (selection)

Sanctuary of Fátima · 653 pages · text from the file's own layer

The Sanctuary of Fátima published this one-volume selection of documents from 1917 to 1930 in 2013. It draws on the fifteen-tome Documentação Crítica de Fátima, which appeared between 1992 and 2013. The selection contains 138 numbered documents. They include the parish priest's and Manuel Nunes Formigão's interrogations of Lúcia, Francisco and Jacinta, witness accounts of the October 1917 solar phenomenon, press coverage and records of the canonical commission. It ends with the bishop of Leiria's 1930 pastoral letter declaring the apparitions worthy of belief.

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Q !  Aparição a 19 de agosto
No dia treze de agosto por cerca das dez horas da manhã,
compareceu em minha casa, residência paroquial, onde me encontrava
com o M. R. Vigário da Vara de Torres Novas, Pe. António de Oliveira
Reis, o administrador do concelho, Artur de Oliveira Santos, trazendo
no carro que o transportava o R.do Pe. Manuel Carreira Poças, Prior de
Porto de Mós. Notando eu a este padre a minha admiração por ele
acompanhar a autoridade civil em assunto de tal natureza, me disse que
não havia novidade alguma, porque vinham de interrogar as crianças em
suas casas, e que o administrador, bem como ele, estava crente do que
dizem as crianças; que lhes não restam dúvidas, mas que vêm a minha
casa para eu interrogar as crianças – que estão a chegar – sobre um
segredo (primeira vez que ouvi falar no segredo), que elas dizem que a
Senhora lhes disse, mas que não lhes revelaram; e depois que o mesmo
administrador as leva ao local da Aparição, onde deseja também ir.
Igual declaração me faz também o administrador, aparentando senão de
crédulo, pelo menos de curioso. Cerca de meia hora depois apareceram
as crianças e seus pais. O administrador pede-me para eu as interrogar,
o que fiz na sua presença. Ao interrogar a menina Lúcia sobre quem lhe
tinha ensinado a dizer o que tem dito; responde que foi aquela Senhora
que viu na Cova da Iria. Ao dizer-lhe que vai para o inferno quem diz
mentiras que causam tanto prejuízo como o que causa o que ela diz – se
fôr mentira, por tanta gente vir enganada – responde, que, se quem diz
mentiras vai para o inferno, ela que não vai para o inferno por causa
disso, porque não diz mentiras, mas só diz o que viu e o que a Senhora
lhe disse, e que se o povo vem é porque quer, que ainda não chamou
ninguém. Pergunto-lhe se a Senhora lhe tinha dito algum segredo.
Responde que sim; mas, que me o não diz. Feitas várias interrogações
sobre ele, responde: Olhe!... se quer... vou lá acima e pergunto à Senhora
se Ela me dá licença para eu dizer o segredo e se Ela me der licença,
então digo-lhe. A isto responde o administrador: são coisas
sobrenaturais... vamos-nos embora. Levanta-se, manda sair as crianças
do meu escritório, onde nos encontrávamos, e subir para o carro. Isto
na presença dos pais e dos Rev.dos sacerdotes acima referidos. Segue
algum tempo o caminho que conduz à Cova da Iria, e .... depois, volta à
desfilada a caminho de Vila Nova de Ourém, para onde as transporta e
onde as retém até ao dia quinze em que veio entregá-las aos pais. A
notícia do rapto é levada com a rapidez do relâmpago ao local das
Aparições onde cerca de quinze a dezoito mil pessoas esperavam com
ansiedade a sua chegada.
Doc. 36 1918-08-06

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