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This is volume 1 of Autos Findos 908/1997, a military police inquiry (IPM No. 18/97) opened on 29 January 1997 by the commander of the Brazilian Army's Escola de Sargentos das Armas in Três Corações. The inquiry targeted the book "Incidente em Varginha" by Vitório Pacaccini and Maxs Portes, which an officer said spread false claims harmful to the Armed Forces. The volume includes a May 1996 sindicância in which soldiers testified that nothing unusual happened when EsSA trucks traveled to Varginha for routine maintenance, along with pages copied from the book.
“Spencer”1 page
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# Comentários sobre o caso do ET de Varginha (MG)
(*) Cláudio Tsuyoshi Suenaga
Não fosse pelo risco de parecer demasiadamente cético, diria sem impedimentos que a alegada captura de dois ETs no dia 20/01/1996 na pequena cidade de Varginha, interior de Minas Gerais, necessita ser revista com um grau maior de distanciamento e imparcialidade. Poucas vezes a comunidade ufológica aceitou com tanto imediatismo um caso do gênero, quando deveria, antes de mais nada, preocupar-se em fazer certos questionamentos. Soa prematuro portanto pretender aferir qualquer tipo de conclusão nesse momento, seja a favor ou contra.
- Indo além das discussões sobre a existência ou não de ETs - sinto-me quase justificado em dizer que devem existir, o que realmente importa na minima opinião é analisar o contexto em que foi gerado e disseminado o boato. Uma análise fenomenológica básica, de cunho psicológico-social, poderia ser bastante elucidativa.
Deve-se admitir que, dentro de cada grupo de crenças análogas, manifestam-se tantas variações, diferenças e incompatibilidades, que a origem e disseminação de um boato como esse exigem estudos de ordem sociológica e etnográfica mais profundos. É necessário compreender as razões que motivam um grupo a comportar-se de acordo com um determinado conjunto de crenças e expectativas, sejam elas individuais ou coletivas.
Cabe indagar ainda por que justamente logo depois da celeumia criada em torno do falso filme de Ray Santilli sobre a autópsia de Roswell acabou surgindo no Brasil uma espécie de reedição daquele famoso incidente. Reflexos da invasão cultural norte-americana que depois de influenciar o modo de comer, de beber, de vestir e de pensar do povo brasileiro motivou também o surgimento da versão tupiniquim do caso? Infelizmente, o Primeiro Mundo, apesar de muito copiado e cotejado, ainda está longe destas terras.
A tipologia um tanto quanto singular do Et avistado aliás, espelha o sofrimento a que as camadas populares brasileiras, sobretudo as menos favorecidas economicamente, vivem submetidas. O ser representa uma espécie de Macunaíma, moderno. Não por acaso, ele foi visto encostado no muro de um terreno baldio, numa situação que remete a dos meninos de rua - e tal como eles terminou preso, vítima da violência policial e militar. Certamente se fosse concedida a mesma atenção que vem sendo dispensada ao caso do Et à problemática dos menores de rua, não haveriam tantos deles perambulando nas ruas do país.
Apesar de não ter sido encontrado
nenhum vestígio concreto no terreno
baldio que indicasse algo estranho, o fato é que o boato espalhou-se tão rapidamente e tomou uma dimensão tão grande que atualmente não se fala em outra coisa na região. Mas o boato é assim mesmo, não necessita de provas. Ele está em todos os lugares. Propagase com tanta facilidade quanto desaparece sem deixar vestigios. Segundo o francês Jean-Noel Kapferer, o boato é a mais antiga mídia do mundo, o mercado negro da informação.
Os primeiros estudos sistemáticos sobre o boato datam de meados dos anos 40 e foram realizados por pesquisadores norte-americanos, impressionados com a quantidade de falsas noticias e o efeito delas sobre as tropas e a população durante a $ 2^{a} $ Guerra Mundial.
Kapferer afirma que o boato "é frequentemente uma produção social espontânea". Um boato exemplar, que correu o mundo no final dos anos 60, e aquele sobre a morte de Paul McCartney dos Beatles. Em 12 de outubro de 1969, uma pessoa liga para uma rádio em Detroit (EUA) e diz que, ao fundo da canção "Strawberry Fields", no disco "Magical Mistery Tour", é possivel ouvir John Lennon murmurar: "I buried Paul" (eu enterrei Paul). Dois dias depois, um jornal de Michigan anuncia que McCartney tinha mesmo morrido. Entre outros indicios, o artigo especulava que, na capa do LP "Abbey Road". Lennon aparecia vestido de padre. Ringo Star estava de preto e lembrava um papa-defuntos e McCartney estava atravessando a rua descalço (os mortos estão sempre descalços nos rituais tibetanos, muito em moda na época).
Além disso, o Fusca ao fundo da foto tem a placa 28 IF - a idade de McCartney teria se estivesse vivo. O boato se propagava com tal força que quando McCartney aparece na capa da revista Life para desmenti-lo, a coisa não funciona. Trata-se de um sósia do cantor, ouve-se. Esse novo boato ilustra para Kapferer outra regra clássica: os desmentidos normalmente informam as pessoas sobre um boato que elas desconheciam e, assim, podem causar um efeito bumerangue, dando um novo fólego à falsa noticia. Os boatos, de acordo com Kapferer, podem ser utilizados para se conquisar fama, ou mesmo destruir carreiras políticas.
Seriam os Ovnis o principal boato deste fim de século conturbado?
(*) Cláudio Tsuyoshi Suenaga é mestrando em História na Faculdade de Ciências e Letras da Universidade Estadual Paulista (Unesp), câmpus de Assis, e bolsista do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). Endereço para correspondência: Rua Otelo Augusto Ribeiro, 300/11-c. Guaiianazes, São Paulo, SP, CEP: 08461-000. Document, cited by the archive. The PDF is mirrored here; the original link is above. The text was read from the page images by GLM-OCR; expect the odd misread word. 208 pages are in the text index: search them above, or from the library's search.